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4 de nov de 2017

Efêmero

Me dói saber que eu não signifiquei pra você o que você foi pra mim. Me dói quando você fala de todas elas como se eu não estivesse ali e um raio de vislumbre do quão doloroso é pra mim sequer passar pela sua cabeça. Dói que você não se importe. Dói. Mas eu vivo de dores, meu amor. Ainda assim, sigo entregando afeto e flores, apesar de que elas sejam efêmeras. O café, a vida, o nosso amor. Tudo efêmero. Espera, amor?

caçador

Você não é bom, amor
retiro o que eu disse.
Eu sou uma boa pessoa;
a dor de outrem é minha dor.

Minha dor, ao contrário, não é sua.
Pegue-a e sorria, ria,
finja que ela não existe.
Finja que eu não existo,
como você tem feito ultimamente.

Você é um caçador,
exiba seus troféus,
exiba as garotas com quem você dormiu.
Sorria, ria,
menino.
Você é mau,
eu não preciso de você.

29 de out de 2017

Poesia



Eu vejo poesia na Matemática,
vejo beleza no Cálculo,
na Geometria,
na Álgebra

Mas por que a minha tristeza some
e a minha vontade de escrever poesia desaparece
quando estou resolvendo uma equação?

Eu não consigo escrever nem pensar sobre autodestruição,
amor, morte.
Eu só tendo ao infinito, de uma forma boa.
Eu vou viver para isso porque,
só assim,
não penso na minha desesperança em relação ao futuro,
vazio das relações humanas,
individualismo e modernidade
liquefazendo tudo,
de forma a escorrer pelos dedos:
o amor, a verdade, tudo que deveria ser sólido.

Sinto vontade de viver para isso
porque me tira do que é mau.
Mas gosto de escrever poesia,
só não sinto mais vontade.

Então vou falar de quão bonita a Matemática é.
E, se uma função pra um determinado valor tender ao infinito,
assim como ela, eu também quero ser infinita,
gigante.
Eu quero explodir como a f(x) = 1/x
quando x tender a zero.

21 de out de 2017

Eu sozinha


Há uma força invisível
me sufocando

o tempo está abafado
e muito, muito quente

sinto meu sangue ferver
nas minhas veias
prontas para serem expostas

e a chuva desce;
sobre minha cabeça gotas densas,
barulhentas,
minha mente fervilhando de ideias
e pensamentos autodestrutivos

e dessa vez, apesar de estar relacionado
de certa maneira contigo,
não é nada além de mim mesma.

é minha culpa por ser assim,
tão extrema em tudo.
quando te vejo, quero-te
beijar, tocar, ser sua

mas nós não funcionamos,
porque você é muito bom
para suportar algo tão frágil e em iminência
de desabamento.

eu quero a dor para esquecer
quero alguém dentro de mim
me machucando tão forte
dor latente,
flamejante
eu quero a dor
a dor para esquecer
que eu te amo tanto, meu amor!

mas não é como deve ser,
você é um caçador de relações
rasas relações,
fragmentos do que podia ser
mas nunca será!
E eu seria,
eu queria,
eu me daria,
mas ninguém,
ninguém fica.

14 de out de 2017

ERA

Não te dói saber que algumas coisas nunca voltarão a ser?
Como quando uma pessoa morre.
Em um momento, ela está lá
sente, ouve, fala, ama,
e em questão de segundos, desaparece.
Tudo que ela foi um dia não existe mais,
tudo que resta é a dor.

É assim que me sinto com o que a gente viveu:
algo morreu.
E, amado,
o que morre nunca mais ressuscita.
E isso dói,
dói tanto.

Hoje, mais do que nunca,
sinto ter sido atingida por uma granada.
Meus pedaços estão no chão e não há
como juntar os cacos.
E só me resta dizer ADEUS,
adeus ao que nunca mais
vai voltar a ser.
QUE DOR!

7 de out de 2017

Eu


- Esse não é um poema sobre você -

O tempo veio
e eu me indignei
quando percebi que meus poemas
só falavam dos outros,
mas nunca de mim

Eu tive saudades
saudades de mim
dos meus braços envoltos ao meu corpo
pequeno, frágil
e ao mesmo tempo forte

Saudades da maneira que vejo o mundo,
de forma tão gentil,
branda,
pacífica

Saudades de como meu coração acelera
quando vejo todas as pessoas que amo
e são muitas!
São todos!

Esse tempo todo eu tive saudades
saudades de mim.

5 de out de 2017

O infinito


No infinito,
você e eu somos a luz
e a luz é a coisa mais rápida
que existe

Nos somos feixes de luz,
que viajam infinitamente
seguindo retas paralelas
que nunca
nunca se tocam

Mas eu não sei como me comportar no infinito,
porque lá, as coisas são estranhas
eu não consigo prever
você
eu
eu não sei como uma função
de grau 2
se comporta no infinito.

(na verdade agora eu sei)
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