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28 de dez de 2015

Resenha - Beasts of no Nation (2015)




Beats of no Nation é um filme do gênero drama produzido pela Netflix estreado no dia 16 de outubro, adaptado do romance  homônimo do autor nigério-americano Uzodinma Iweala e dirigido por Cary Joji Fukunaga. Embora a qualidade do filme seja algo de deixar qualquer espectador maravilhado, o longa-metragem não teve grande publicidade e chegou, inclusive, a ser boicotado pelas principais redes exibidoras dos Estados Unidos e conseguiu abrir em apenas 31 salas, chegando ao 33º lugar nas bilheterias do fim de semana. A qualidade das imagens, da trilha sonora e até a maneira audaciosa como as cores foram utilizadas ao decorrer do longa  são incontestáveis.

A história segue um menino chamado Agu (Abraham Attah), que vive em um vilarejo protegido pelas tropas da ECOMOG. O pai dele é o líder local e  auxilia refugiados de áreas próximas permitindo que fiquem nas terras dele. Agu vive uma vida relativamente feliz, porém dura, em uma casa onde mora com o pai, que antigamente lecionava, a mãe, o irmão mais velho, uma irmã caçula e o avô, um senhor de idade avançada com problemas de saúde.

O mundo que Agu e a família conheciam cai por terra quando  é separado da mãe e da irmã mais nova devido à iminência da guerra civil, ficando no vilarejo para impedir que as lojas sejam saqueadas. A situação vai de mal a pior quando as forças armadas do Conselho da Reforma Nacional invadem o vilarejo e os declaram espiões, ordenando execução imediata. Mas Agu consegue fugir, quando então é encontrado por um grupo de resistência, o FDL (Força de Defesa Local). A partir daí, acompanhamos os rituais de iniciação do pequeno Agu para se tornar um guerrilheiro e as transformações pelas quais ele passa no decorrer da história.

Foto Netflix

Não há uma informação exata de que país é aquele, mas sabe-se que ele faz parte do oeste africano. O governo é totalitário e são pelo menos dois os grupos antagônicos à ele, sendo um deles o FDL, que é o grupo de Agu, encabeçado pelo Comandante, e o PLF, cuja sigla não foi explicada.

Já o Comandante (Idris Elba), é um personagem manipulador e incisivo. Ele arma as crianças até os dentes e é bem rigoroso quanto às regras de sobrevivência em meio a guerra. É paternal e abusivo.

Foto Netflix


O título Beasts of no Nation extraído do romance de Uzodinma é tanto uma referência simbológica ao exército desorganizado e nômade do Comandante quanto ao fato de o nome do país não ter sido em nenhum momento nomeado na telinha.

A narrativa é muito cativante. Em cada cena grotesca, de violência nua e crua praticada por pequenos, Agu questiona cada uma de suas atitudes, se perguntando se um dia poderia voltar a brincar como crianças fazem. Porque agora, depois de tudo que ele passou, reconhece a si mesmo como um homem, este que tomou o lugar da criança inocente que existia ali. Mas o final é surpreendente e muito emocionante

"Todos que conheço estão morrendo. E eu penso: se essa guerra um dia acabar, não posso voltar a fazer coisas de criança. A guerra está consumindo tudo. Folhas, árvores, terra, pessoas. Consome tudo. Faz as pessoas sangrarem em toda parte. Somos como animais selvagens sem ter para onde ir."

Para aos que não viram: vale muito à pena. É impossível não conseguir entrar na alma de Agu e se emocionar com toda a trajetória dele até o fim. Mas um aviso: é muito, mas muito pesado. 


                                           Confiram o trailer original do filme:

  

              
                              
                                  Minha avaliação (numa escala de 1 até 5 estrelas)




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