Quem mais cresceu na
vida: uma pessoa que mora numa casa de barro com teto de palha, que
tira sustento da agricultura, ou uma pessoa que vive preocupada, cujo
único objetivo na vida foi (e é) ganhar dinheiro, economizar
dinheiro e adquirir bens materiais?
Se você respondeu que a segunda pessoa cresceu mais na vida, meu caro, a sua situação é dramática, e eu tenho pena de você.
Certa vez, quando eu estava passando por necessidades, recebi de uma pessoa que mal conhecia e mal sabia o nome, uma cesta básica que não era básica, era muito mais. Pra vocês terem ideia, tinha até toddynho, biscoitos (ou bolacha, seja como for), bolo e uma infinidade de guloseimas. Essa pessoa apenas ouviu a minha história uma única vez, e a humanidade, a sensibilidade, a generosidade e a compaixão, evidentemente corriam pelas veias dela.
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Por outro lado,
havia uma pessoa não muito virtuosa. Essa pessoa trabalhava, é
claro, porque ela adorava dinheiro e queria sempre mais. Cada vez que
ela ganhava dinheiro, mais motivada a ganhar dinheiro ficava. Ela até
cheirava as cédulas (as de 100, principalmente)! Mas era uma pessoa
dura, amarga, mesquinha, que tinha dó do dinheiro do presente dado à
um ente querido no dia de seu aniversário, mesmo tendo condições
de sobra.
Também é engraçado
como a classe média justifica a pobreza: “Fulano é pobre porque é
vagabundo.” Não, meus caros, fulano não é pobre, materialmente
falando, porque ele não trabalha. Ele trabalha mais que a classe
média, pra receber bem menos do que ela! Olhe a seu redor o tanto de
gente trabalhando das 7 às 20 para receber míseros 780 reais!
Por que será que as
pessoas são tão materialistas? Por que a nossa vida gira em torno
de conseguir dinheiro e bens terrenos, passando por cima de valores
como a bondade, a generosidade e o amor? E pior, como podemos ser tão
superficiais a ponto de considerarmos uma pessoa de posses mais bem
sucedida do que os milhares de fulanos que vivem em casas de barro?
Viramos máquinas de
fazer dinheiro, e enquanto máquinas, somos incapazes de sentir, de
ter empatia pelo outro. E se a máquina é o bem de produção, e o
dinheiro, o produto desse bem, não sobra nada além de escravidão.