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20 de nov de 2016

Penhasco


Eu não posso viver uma vida assim,
não posso.
Essas oscilações entre estar bem
e estar a beira de um penhasco
dolorida, chorosa, desesperada, lixo
Suicida.

Não posso continuar assim
chorando repentinamente.
Uma hora, menina
outra hora, suicida.

Não dá pra viver assim.
O penhasco sou eu,
o desejo sou eu,
e estou caindo em mim mesma
descendo, tão profundamente
que não dá mais para voltar
não dá para segurar.

Eu pularia, ah, como eu pularia!
Eu pularia sim.
Não porque eu quero,
porque eu preciso.

Mas o medo da dor,
não a mental, a física,
esse medo é o obstáculo no caminho
que impede que eu atinja o fim.

Mas eu sei que eu preciso,
eu preciso partir.
Eu não sinto que aqui é o meu lar,
eu não tenho um lar.
Eu não sinto que você é a mesma,
você é outra.
Eu não tenho nada a perder.



12 de dez de 2015

Um ano de leitura

Google Imagens

Foi no ano passado, enquanto eu estava olhando fixamente na estante à procura de um livro para ler, que mirei em um que me despertou um interesse que jamais imaginei que pudesse ter com relação à algum livro. Nunca havia lido antes por prazer e nem conseguiria imaginar como isso poderia ser uma atividade aprazível. Só lia por obrigação, para os trabalhos da escola. 

Enquanto lia, minhas emoções por estar lendo um livro tão bom e a culpa que comecei a sentir por não ter feito isso milhares de vezes antes, se misturavam e me faziam sentir ao mesmo tempo feliz e completamente irritada. Eu ficava com isso na cabeça: "Caramba, por que ninguém me incentivou a ler?", "Por que nunca havia recebido livros antes?", "Por que só comecei tão tarde?". E mais ódio. Ódio, principalmente de mim mesma. Na escola, uma biblioteca com um acervo enorme à minha disposição, mas quase nada de interesse. Talvez o ambiente escolar não fosse assim tão motivador para uma leitora iniciante, porque eu sempre associava a biblioteca à obrigações escolares. Não sei, só sei que demorei demais para tomar alguma atitude e isso me prejudicava de maneiras sutis que só agora eu consigo perceber.

Se você estiver se perguntando, o livro que estava lendo nesse dia que me abriu os olhos e o coração para a literatura, é o romance do escritor afegão Khaled Hosseini, O caçador de pipas. A partir desse dia, confesso que eu não conseguia mais ficar sem ler. E eu queria - e quero - ler o tanto de livros quanto fosse possível para compensar o prejuízo de vários anos. A corrida para a compra de livros tinha iniciado por aí. Eu procurava no Zoom por preços baixos e comprava sempre que aparecia algum que me despertava interesse. Isso foi exatamente no mês de dezembro do ano passado, época que começam as promoções e tudo mais. Mas eu não comprava sozinha. Duas de minhas tias, Raquel e  Neia, também me ajudaram muito, comprando livros e boxes maravilhosos para mim.

Hoje eu posso dizer que a minha vida mudou. É tão perceptível isso que eu chego a estremecer só de pensar em como seria a minha vida caso eu não tivesse olhado para a estante naquele dia. Eu dei o primeiro passo e acho que foi uma das coisas mais incríveis que já fiz. 

Obrigada à todos. À todos os escritores, por terem mudado a minha vida. À todas as pessoas que me presentearam com livros, sendo eles novos ou usados. Eu hoje só tenho a agradecer pelo universo maravilhoso que me foi apresentado quando eu peguei aquele primeiro livro, sem compromissos, sem nada.
E agora eu  digo:

Google Imagens


2 de jun de 2015

MARCA (Texto de Gabriel Alves)

                                     GABRIEL A. PEREIRA

    A vida é de fato muito curiosa. Nascemos. E geralmente há uma festa quando isto ocorre – o que não faz muito sentido, já que nascem milhares de pessoas todos os dias. A questão é que então, somos criados, e educados segundo o que nossos responsáveis apontam como o melhor para nós – geralmente valores que adquiriram com seus pais, nossos avós. E em seguida, somos enviados a uma escola, a fim de aprender mais sobre o mundo em que vivemos – apesar de sairmos de lá sem conhecer um terço do que ele realmente é. Então, chegamos à adolescência, e nos afogamos em uma teia de dúvidas e incertezas a respeito do futuro. Em seguida, somos incentivados e impulsionados a buscar uma Faculdade, para adquirir um bom emprego, constituir família, e ter filhos. É aí que quero chegar: nossos filhos nascem, e então os educamos – com os valores adquiridos com nossos pais – e então os mandamos para uma escola, para que conheçam mais do mundo, e em seguida procurem uma Faculdade, para alcançarem um bom emprego, constituírem famílias, e terem filhos, e mandá-los para uma escola, e para uma Faculdade, para que construam famílias e tenham filhos... é um ciclo. Um padrão. E o problema é que nós nos conformamos em seguir este padrão, e viver de forma estática e monótona, assim como todos que nos precederam viveram também.
    Uma vez ou outra, porém, alguém resolve sair do ciclo, e se destacar. E então, quando isto ocorre, pessoas como estas deixam sua marca em alguém ou até mesmo no mundo, diferenciando-se das demais. Eu poderia elaborar uma lista de grandes nomes da história, que deixaram seu legado, mas enaltecer estas pessoas não é o foco aqui.
    Talvez, fugir do padrão e almejar algo melhor seja bom. Às vezes, querer apenas fugir daquilo que todos já fizeram, seja algo positivo. Busque motivação para marcar a vida de alguém. Marcar a história. Faça bom uso do tempo que lhe foi dado para vir à Terra, e não queira simplesmente viver o ciclo que a maioria que vieram antes de você viveu. Comece cada manhã pensando em construir sua história e marcar pessoas como se ao chegar a noite, os batimentos cardíacos lhe fossem tirados e tudo acabasse. Seja diferente. Marque. Almeje. Alcance. Faça sua história, e permita que ela deixe marcas.

    Permita que ela seja lembrada. 
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